sexta-feira, 28 de março de 2008

O direito de se revoltar

Eu acredito que todos têm o direito de se revoltar.

Alguns se revoltam com o governo que lhes é injusto. Outros se revoltam com os professores que são "antiquados" e "exigentes". Alguns se revoltam com razão, outros sem razão. Outros, ainda, se revoltam com familiares, com salários, com artistas, com a perda de algo ou alguém, com patrões, com a lei, com as obrigações e deveres...

Há muita coisa com o que se revoltar.

Mas até onde vai o limite da revolta de cada um?
Há uma frase que eu gosto muito e que diz: a minha liberdade acaba onde a dos outros começa.

E digo isso por quê?
Para além do lamentável e tão discutido vídeo que circula (ou circulava) no YouTube da aluna do norte aos gritos e solavancos à sua professora por esta ter-lhe retirado o seu telefone móvel durante uma aula, também eu tive a minha dose de revolta gratuíta.

Hoje tive o "privilégio" de ver a revolta de um senhor que, se tem ou não tem motivos suficientes para se revoltar, não serei eu a julgar, mas que, para tanto, ameaçou a sua própria vida com uma faca.

Tenho que admitir: é uma cena fantástica.
Imagine-se no seu trabalho, sentado na frente do computador, a beber um iogurte líquido, enquanto aguarda que os bombeiros venham buscar um cliente que "não está a se sentir bem", quando ouve "Oh senhor! Não faça isso!!!" e, ao mudar o olhar no sentido do tal senhor, vê-lo de camisa levantada com a faca apontada para o peito.

Tirando o facto de quase vomitar o iogurte, até que foi giro.

Como eu já disse, os motivos desse senhor em tomar tal atitude não competem a mim avaliar, mas eu não tenho nada que vê-lo a ameaçar a si próprio ou, em último caso, pôr a minha vida em perigo por causa dos motivos da revolta dele! (o que não aconteceu, é claro!)

Está revoltado?
Que tal fazer uma manifestação? (pacífica - é melhor deixar bem claro)
Que tal fazer um blog e expor os motivos da sua revolta? (como eu estou a fazer agora depois de ter a minha tarde estragada)
Que tal fazer como o ultra-maratonista Dean Karnazes que, depois da morte da sua irmã, começou a correr?
Que tal fazer como eu que, quando estou brava/irritada/revoltada vou ouvir música? (que, por coincidência ou não, são as mesmas músicas que eu ouço quando estou feliz)
Por que sempre que alguém está revoltado há aquele instinto básico de fazer algo de mal, seja contra si, seja contra o próximo?

Mais um bom motivo para se dizer:

Animais 1 - Homens 0

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